Inspiração

O velho relógio registra doze badaladas, passos na escada soam próximos, a cada passo mais próximo. A porta se abre lentamente, uma lufada entra violenta, balançando a cúpula do abajur cor de carne, levantando a cortina de seda. Entra o seu corpo nu.

Menina veneno (inspiração) o mundo não é pequeno demais pra nós dois. Em toda cama que eu durmo não dá você.

copo

A origem da inspiração deve ser a pergunta mais clichê entre artistas, e é justo que seja, afinal todos já passaram por um fluxo de trabalho em que cada palavra sai sem qualquer esforço e o resultado é primoroso, requerendo pouquíssimo tempo de revisão. Porém, essa deliciosa sensação de poder, de capacidade, de genialidade, também é traiçoeira, é raríssima e não há quem se sustente à base de inspiração.

Estou relendo Sobre a Escrita, do Stephen King, uma das coisas que mais me surpreende nesse livro é quando ele fala da caixa de ferramentas que o escritor precisa carregar consigo, dentre esses utensílios estão vocabulário, gramática, obviamente, e o resto vocês terão que ler para descobrir.

Quero atentar para a metáfora em si, Caixa de Ferramentas, quem trabalha com criação, sobretudo a escrita, pode considerar que caixa de ferramentas seja um caderno e um estojo, ou um computador, não vou me alongar nos exemplos para não mencionar as “ferramentas” do Marquês de Sade (haha!), enfim, qualquer dessas coisas com que e onde se possa escrever. Entretanto supor que o vocabulário seja como o martelo, ou uma chave de fenda, parece ser uma ideia que coaduna com a “mecanização” da escrita.

E, no fim, é isso mesmo, escrever é um hábito, que deve ser mecanizado, assim como um médico opera melhor o centésimo paciente, o escritor escreve melhor o centésimo rascunho (às vezes, não); O escritor pelo menos não corre o risco matar ninguém a cada rascunho, alguns cabelos brancos e umas rugas a mais são o maior risco à cada sentada para escrever.

Eu possuo um caderno para anotar ideias a cada vez que uma avalanche de inspiração me pega, então quase nunca estou desprevenido (obrigado, evernote), sinceramente, tenho alguns cadernos, um para poemas, um para contos e parágrafos, outro para piadas, outro que funciona as vezes como uma descarga de ideias, e por aí vai…

Dessa forma eu posso voltar às ideias “geniais” quando eu tiver um tempo à mais para me dedicar àquilo. Eu poderia passar algumas horas falando sobre inspiração, mas vou parar por aqui, logo mais eu estou de volta e, talvez, eu desenvolva esse assunto

E você, leitor, quais são as suas técnicas quando a inspiração vem? Você para tudo? Você faz como eu? Ou você sai pra rua correndo nu, por não saber o que fazer com tanta força criativa? Conta aí nos comentários.

Abraços,

Pedro Augusto

Projeto de fim de ano?

Falei que estou passando por várias mudanças na postagem passada, pois bem, dentre essas mudanças eu quero finalizar o processo de escrita de um romance, talvez uma novela.

Essa história eu tenho ela na cabeça há quase dez anos e ela tem um potencial de ser longa, e da forma que eu tenho ela estruturada eu creio que dê pra trabalhar alguns temas que me incomodam.

Entretanto essa história também pode ser trabalhada de forma muito “íntima” ocupando o espaço de uma novela, ou seja umas 100 páginas.

E esse é o maior problema dessa história, cedo a ambição de fazer algo grande sendo minha primeira produção desse tamanho, ou me prendo a uma história mais curta e talvez mais segura?

Dentre outras coisas quero documentar esse processo, e gostaria de saber se há interesse das poucas pessoas que acompanham esse blog, talvez até estimular outras pessoas a escreverem suas histórias (um grupo de escrita?). Sei lá, no final da semana ou no começo da próxima eu volto e digo pelo que decidi, nesse momento tô montando o esqueleto da história!

Sobre mudanças

Faz uns anos que mal atualizo esse sítio, peço desculpas se alguém mantinha expetativas…

Eu poderia dizer que foi a rotina que me engoliu, que eu não tinha mais tempo para escrever, mas sendo bem sincero eu não queria escrever.

A escrita constante força-nos a remexer o que sentimos, revolver toda a camada superficial e permitir que o que está no fundo venha à tona e respire. Sinceramente, eu não queria isso, eu não queria ter que lidar com as dores que eu punha band-aid sobre band-aid.

Mas como a metáfora permite imaginar pôr tantos curativos sem limpar a ferida não adianta só não permite que estímulos externos atuem sobre o que ainda não cicatrizou. Bem, isso não impede de infecionar… Não mesmo…

A partir de agora quero tirar todos os curativos e deixar minhas dores respirarem. Quero mudar. Eu preciso mudar.

Portanto, a partir de hoje nesse humilde site tentarei postar tudo que me vier na telha, não abandonarei os poemas, jamais, mas quero postar aqui minhas piadas, meus roteiros, tudo que tenho produzido, ou quase tudo.

Abraços cordiais à todos que leram meu velhos poemas e à todos que lerão o que vier daqui pra frente.

Perceba não há nenhuma verdade
Nos estranhos, diversos, tons de cinza
Do que uns chamam realidade
Vê-se logo não haver sanidade
Na extensa, confusa, longa teia
Desta forma, não, creia na verdade

Se impossível a venda, vale a pena?
Servirá a segregação, ao menos?
Vende-se ao nicho criado em cena
Invadimos idéias por antenas
Ao grupo oposto dá-se argumentos
Assim como ao que este condena

Está criada originalidade
Pra cada um, uma realidade

Estige

Senta-se Têmis cruzando o Estige
Par de moedas ao invés de venda
Seguiu o fácil que, do erro, efígie
Tomando uma posição na contenda

“Há justiça?”, pergunta-se a Esfinge
Em algum livro em alguma lenda
Enquanto a verdade sangue lhe tinge
Cresce sobre o túmulo verde renda

Resta-nos a crença que haja milagre
E abata a iluminação divina
O pecado vil então se deflagre
Impedindo o que parece ser sina

E neste ocaso segurem-se à calma
Tenham piedade de nossa alma